quinta-feira, 1 de março de 2012

Peça teatral: Amor de Perdição

                                                          
                                Peça teatral: Amor de Perdição
A obra Amor de Perdição, publicada em 1862, pode ser considerada como um verdadeiro marco do Ultra Romantismo português. Espécie de “Romeu e Julieta” português, essa obra foi recebida com euforia pela crítica e pelo público, tornando-se um dos grandes clássicos da literatura universal.
Cena1: Simão e Teresa se veem pela janela de seus quartos e se apaixonaram a primeira vista.
O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a ultima manifestações do amor as bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho; sempre com os olhos fito na ave-mãe, que a está de fronte próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amar muito, como a segunda o que é voar para longe. Já os dezoito anos representa mais liberdade, principalmente na parte dos rapazes.
Cena 2: (As duas famílias aparecem em batalha).
O magistrado e sua família eram odiosos ao pai de Teresa, por motivo de litígio, em que Domingos Botelho lhe deu sentença contra. Afora isso, ainda no ano anterior dois criados de Tadeu de Albuquerque tinham sido feridos na celebrada pancadaria da fonte. E, pois, evidentemente que o amor de Teresa, declinando de si o dever de obtemperar e sacrificar-se ao justo azedume de seu pai, era verdadeiro e forte.
Cena 3: (Simão e Teresa se encontram, no jardim).
Simão: Teresa vim me despedir, pois vou para Coimbra, cursar faculdade e então sustenta-la e poder dar-te uma vida de dignidade.
Teresa: Meu pai disse que me vai encerrar num convento por tua causa. Sofrerei tudo por amor de ti. Não me esqueças tu, e achar-me-ás no convento, ou no céu, sempre tua do coração, e sempre leal.
Simão: Lá iram dar as minhas cartas e na primeira te direi e que nome hás de responder á minha pobre Teresa. Como símbolo do meu amor te dou este colar, guarde o mesmo com vosco, para lembrar-te de mim.
Cena 4: Rita a filha mais nova, estava um dia na janela do quarto de Simão, e viu a vizinha rente com os vidros e a testa apoiada nas mãos. Sabia Teresa que era aquela menina mais querida irmã de Simão, e a que mais semelhança de parecer tinha com ele.
(Ambas sorriem uma para a outra, mas logo Rita filha saiu da janela, por que sua mãe tinha proibido as filhas de trocarem vistas com pessoas daquela casa oposta. Além domais escuta-se um grito do interior da casa, era o pai de Rita que o chamava).
Domingos Botelho: Riiiiiiiiiiiiiiiiiiita... (lá de dentro ele grita).
Cena 5: ( A mãe de Rita aproxima-se da janela do quarto de Simão e vê Teresa).
Teresa: Olé (diz Teresa a Rita)
Rita Botelho/ mãe: Não tenha a confiança de por olhos em pessoa de minha casa. Se quer casar, case com um sapateiro, que é um digno genro de seu pai.(Rita retira-se no supetão e Teresa sai triste de cabeça baixa).
Cena 6: ( Teresa conversa com seu primo Baltasar eele tenta ser romântico, porém Teresa se recua delena sala da casa de Teresa ).
Baltasar Coutinho: É tempo de lhe abrir o meu coração, prima. Está bem disposta a ouvir-me?
Teresa: Eu estou sempre bem disposta a ouvi-lo primo Baltasar. (com ironia)
Baltasar Coutinho: Os nossos corações me pensam que estão unidos; agora é preciso que as nossas casas se unam.
Teresa: Disse-me o que é impossível. O primo engana-se: os nossos corações não estão unidos. Sou muito sua amiga, mas nunca pensei em ser sua esposa!
Baltasar Coutinho: Posso saber quem seria o desgraçado que me disputa o coração de minha prima. Não seria Simão Botelho, seria?
Teresa: Sim, esse mesmo!
(Baltasar retira-se da presença de Teresa, muito furioso ao encontro de seu tio, e Teresa vai para seu quarto).
Cena 7: (Tadeu de Albuquerque vai tá em um lugar escrevendo na máquina de topografia).
Baltasar Coutinho: Senhor meu tio venho lhe contar do amor de Teresa pelo filho do corregedor, vossa filha esta disposta a passar por dentre suas ordens para casar-se com Simão.
Tadeu de Albuquerque: (Furioso vaiao quarto de Teresa).
Cena 8: Tadeu de Albuquerque: Teresa vais hoje dar a mão de esposa a teu primo Baltasar. Minha filha fará o que mando!
Teresa: (Teresa cala-se diante do que seu pai diz).
Tadeu de Albuquerque: Não me responde Teresa?
Teresa: Que hei de eu responder-lhe, meu pai?
Tadeu de Albuquerque: Dá-me o que te peço minha filha!
Teresa: E será feliz com a minha desgraça meu pai?
Tadeu de Albuquerque: Não será sua desgraça. Baltasar lhe ama e lhe fará feliz. Além do mais ele é um bom moço.
Teresa: Mas eu não o amo meu pai e agora o abomino.
Tadeu de Albuquerque: Hás de casar, quero que cases. E se não casares será amaldiçoada para sempre Teresa. Morrerás num convento.
( Teresa chora)
(  Tadeu de Albuquerque sai irado do quarto de Teresa e vai ao encontro de seu sobrinho Baltasar na sala de sua casa )
Tadeu de Albuquerque: Não te posso dar minha filha, porque já não tenho filha. A mísera a quem dei o nome de Teresa perdeu-se para nos e para ela.
Baltasar: Deixe meu tio, eu a livrarei do assédio de desgraça do desgraçado Simão Botelho.
Cena 9: ( Aparece Teresa escrevendo e lendo a carta que faz para Simão, contando o ocorrido que a levará para o convento. Também aparece ela entregando a carta a mendiga que levará até Simão).
Teresa: Faça-me o favor senhora, de fazer chegar esta carta até as mãos de Simão Botelho.
(A carta chega até Simão em Coimbra, e com a carta nas mãos Simão diz:)
Simão: Teresa não há de se casar com Baltasar, não permitirei! Vou de imediato para Viseu impedir essa tragédia.
Areeiro: Se quiser senhor Simão pode ficar em minha casa, lá estará seguro.
Simão: Então vamos, partiremos esta noite.
( Aparece Teresa com a carta na mão com a voz de Simão como se ele tivesse  falando que estava indo a Viseu )
Teresa: Háá! Simão virá ao meu encontro esta noite, pedirei para esperar-me no lugar que nos encontramos as onze horas.
(ela escreve uma carta a Simão).
Cena 10: Encontro do casal na casa de Teresa
( Teresa estava ansiosa, sempre olhando pela a janela para ver se seu grande amor Simão se aproximava. Neste momento todos da casa dormem. Simão chega acompanhado de Arreeiro, que lhe dava cobertura ).
Teresa: Chegaste pontualmente às onze horas como o combinado, vejo que és pontual.
Simão: Quando se trata da mulher que tanto amo, enfrento todas as barreiras que existir.
Teresa: Pensei que não iria conseguir chegar atempo, antes do dia do meu aniversário que é daqui a três dias.
Simão: Estarei aqui novamente, se convidado por vossa senhoria, embora que estando escondido, virei com imenso prazer, pois o que importa para mim não são as barreiras, mais sim seu amor.
( Ouve-se ruídos e um vulto como se alguém estivesse bem perto )
Teresa: Agora vá-se embora Simão. Baltasar pode ver-nos aqui.
( Baltasar para enfrente de Teresa e Simão, a seis passos de distancia. O Arreeiro, pega uma pistola e direciona ao fidalgo Baltasar ).
Areeiro: Isto aqui não é o caminho, que quer?(fala ele para Baltasar que não responde e fala logo com Teresa).
Baltasar: Teresa não tens vergonha? Como ousas passar por cima das ordens de seu pai?
Simão: Como ousas falar assim com Teresa?
Baltasar: Você que é ousado de vir até aqui, vá embora, não quero mais ver seu semblante em minha frente.
Simão: Saiba que vou me retirar não porque ordenar-te, mais sim por amor a Teresa, não quero causar a ela problemas.
Simão: Teresa, mi vou, mais guarde consigo o meu amor.
( Teresa sai sem responder, e vai chorando para seu quarto ).
Cena 11:( Simão vai da casa de Teresa para a casa do senhor ferrador João da Cruz  ).
João da Cruz: Vossa senhoria pode se acomodar em minha residência. (João da Cruz sai por uns minutos de perto de sua filha e Simão ).
Mariana: Não sei o que me adivinha o coração a respeito de vossa senhoria. Alguma desgraça está para lhe suceder.
Simão: Por quê a menina diz isso?
Mariana: Alguma coisa sei...
Simão: Ouviu o Areeiro contar algo?
Mariana: Não senhor. Meu pai conhece seu paizinho e eu vos conheço. Sei que alguma desgraça está para lhe acontecer.
( Simão espanta-se com a publicidade de sua desgraça. A menina ao ver seu pai aproximando-se sai por uma outra porta ).
João da Cruz: Com licença. Como estás ô rapaz?
Simão: Estou bem, senhor João.
João da Cruz: Devo um favor ao seu pai, se poder-lhe ajudar, farei todo possível.
Simão: Obrigada, senhor João.
João da Cruz: Sabe, antes de ser ferrador, era criado de Castrod Aire e Baltasar, me abanou 10 moedas para que eu posse fim a vida de um homem. Isso tocou cá por dentro.
Simão: De certo!
( Mariana interrompem, par servir café, mas logo procede-se a conversa ).
João da Cruz: Um homem que mata outro num aperto, não é matador de ofício, acho eu. Esse homem era vossa senhoria, senhor Simão.
Simão: Estou pasmo! E vós mercê não aceitou a incumbência.
João da Cruz: Não senhor, de modo algum.
Simão: Obrigada, meu amigo! Mas preciso que vá comigo amanhã, quero ver Teresa em sua casa.
João da Cruz: Sim senhor!
Cena 12: ( João da Cruz estava a frente da igreja ). Onde estava dois criados de Baltazar
Criado 1: E aquele quem é?
Criado 2: È João da Cruz,  ferrador ou o diabo por ele!
Criado um: Que farás estas horas por aqui?
Criado dois: Será que está envolvido em algum a façanha?
Criado um: Não sei, só sei que ele já trabalhou para o patrão e pago para matar Simão.
Criado dois: È, mas também sei que foi o corregedor pai de Simão, que o livrou da forca.
Criado um: É melhor deixar ele lá, que é homem do diabo.
Cena 13: (Simão chega, perto daigreja )
João da Cruz: Eis tu Simão?
Simão: Sim, sou eu.
João da Cruz:Atrás da igreja estão dois homens de Baltasar a tua espera.
Simão:Não tenho medo algum.
João da Cruz: Então vamos fidalgo, a moça o espera!
( E lá se foram para a casa de Teresa. E chegado lá Simão ouvir aos passos de Teresa que abriu a porta e o abraçou Simão ).
(Teresa esta aflita)
Teresa: Simão não sabe o perigo que corres, Baltasar está a vigiar a casa com dois de seus homens. Vá embora.
Simão: Sei do perigo Teresa, mas vou lutar por teu amor!
Teresa: Vá Simão, vá...
(Teresa entra em sua casa )
João da Cruz:Vá Simão e tome cuidado. (Simão sai correndo).
João da Cruz: Vamos por for ado caminho. (E lá se foram João e se cunhado Arrieiro. Chegaram a ouvir a ouvir os passos dos homens de Baltasar se aproximando do caminho onde tinha ido Simão, logo ouviram dois tiros ).
João da Cruz: Vamos segui-los. (E saíram até encontrar Simão ).
Areeiro: Senhor Simão, é o senhor mesmo?
Simão: Sim.
João da Cruz:Não o matarão?
Simão: Creio ki não, acho que estou ferido.
João da Cruz: Passe para cá a pistola Senhor Simão vou atrás desses desgraçados para matá-los.
(João caminha alguns passos a caminho de onde se ouviu os tiros e encontra um dos criados mortos e o outro ao lado do amigo, João levanta a arma apontado para o criado ).
João da Cruz: Levanta desgraçado, e venha comigo. ( João da Cruz pega o pobre criado e o leva ate onde Simão esta ).
João da Cruz: (Por sorte a bala que Simão disparou acertou um dos desgraçados, faltou matar esse outro aqui).
Simão:Não mate o homem Senhor João!
João da Cruz: que não mate esse desgraçado há de morrer agora mesmo.
Criado 1:Por favor Senhor não me mate, prometo ficar calado e não contar nada.
Areeiro:Aiesta João da Cruz fazendo justiça. (João da Cruz atirou no pobre criado que morreu).
Cena 14: (Teresa estava escrevendo uma carta para Simão e logo seu pai entrou no quarto, ela esconde a carta nos seios).
Tadeu de Albuquerque: Teresa se vista.
Teresa: Estou indo meu pai (Teresa põe uma capa e pega um lenço).
Tadeu de Albuquerque: A senhora sabe para onde vai?
Teresa: Não meu pai!
Tadeu de Albuquerque: Então se vista com decência que o espero.
Teresa: Mas meu pai se sua idéia e de casar-me com meu primo...
Tadeu de Albuquerque: E daí?
Teresa: De certo não caso morro, morro mais não me caso.
Tadeu de Albuquerque: Nem ele a quer.
Teresa: Pois esse será meu destino, morrer no convento.
Tadeu de Albuquerque: Não quero reflexão,estarei a sua espera,irei levá-la.
(Tadeu sai para o quarto e Teresa se põe a chorar, pegou a carta e, pois em uma imagem de uma santa! Saiu do quarto e foi ao encontro de seu pai).
Teresa: Estou pronta meu pai.
Tadeu de Albuquerque: Então vamos.
(Teresa chega ao convento com seu pai).
Tadeu de Albuquerque: Bom dia senhora Madre Prioresa.
Madre: Que diz a menina!
Teresa: Não digo nada minha senhora.
Madre: Mas quem vem a esta casa de Deus, tem que estar com alma livre.
Teresa: Mas estou livre minha senhora, estaria aprisionada se estivesse casada com quem não amo.
(Teresa despediu-se de seu pai, ele deu-lhe um beijo na testa e foi embora).
Madre: Venha menina mostrarei seu quarto.
(Teresa vai ate o quarto onde ficará).
Teresa: Obrigado Senhora por mostrar-me minha prisão.
Madre: Quem para aqui vem menina, há de modificar o espírito, e deixar-lá fora as paixões mundanas.
(Teresa nada falou e abaixou a cabeça)
Madre: Conforme-se menina você será o que seu pai quer que seja.
Teresa: Freira?
Madre: Isso assim é.
Teresa: Quem vem para esta casa jamais se sente bem!
Madre: Deixe menina que Deus se encarregará de deixar seu coração livre. Vou a cozinha buscar a ceia.
(Madre Prioresa fecha a porta).
Madre: Que impostora!
(Pouco depois entrou a Prelada com a ceia, e saíram às duas freiras).
Prelada: Que lhe pareceram as duas religiosas, que ficaram com a menina?
Teresa: Pareceram-me muito bem.
(A velha distendeu os beiços matizados de esturrinho líquido, e regougou:
Prelada: Hum!... Está feito, está!... Ainda não são dos piores; mas, se fossem melhores, não se perdia nada... Ora vamos a isto, menina; aqui têm duas pernas de galinha e um caldo que o podem comer os anjos.
Teresa: Eu não com nada, minha senhora.
Prelada: Ora essa! Não come nada?! Há de comer, sem comer ninguém resiste.
Teresa: Não tenho fome!
Prelada: Mas tem que comer, sem comer ninguém resiste.
Teresa: Quero apenas ficar quieta minha senhora.
Prelada: Então não vais ao coro.
Teresa: Não. Minha senhora queria arranja-se tinta e papel para escrever.
Pelada: Sim, pegarei no meu quarto.
(Prelada entrega a tinta e os papeis para Teresa e sai).
Prelada: já vou menina.
Teresa: sim senhora.
Cena 16: (Simão chega à casa de João da Cruz, Mariana viu a chegada de seu pai com Simão que estava machucado. Ela logo vai socorrê-lo).
João da Cruz: queria que tu rapariga fosse a enfermaria de nosso Doente.
Mariana: cuidarei dele meu pai.
Simão: ficarei muito grato Mariana aos seus cuidados.
(Mariana pegou um pano e começou a lavar feriadas de Simão).
Mariana: espere um pouco pegarei um pouco de caldo para o senhor comer.
(Mariana pegou o caldo e da para Simão).
Simão: Mariana, preciso de um favor seu, preciso escrever para Teresa, poderia pegar tinta e papel.
Mariana: sim senhor Simão, mas não se esforce muito ainda está muito fraco.
Simão: escrevo apenas algumas linhas.
Mariana: amanha vou falar com o pai para levar a carta bem cedo.
Simão: sim Mariana.
(Simão escreve a carta para Mariana).
Cena final: em um quarto aparece Simão, lendo suas cartas, feitas por Teresa. Ela lembrava-se de sua amada. E pela ponta apusesse uma carta preta, relatando a falecimento de Teresa.
(Ele chora neste momento).
Simão: não pode ser minha amada Teresa não vinhera a falecer, mais doloso que minha doença, é meu coração agora despedaçado.
Já não agüento tanta dor.
(Maria entra no quarto ver seu amado morto e entra em desespero, pois via que sua cabeça sai sangue. Ela chora e põem a mão cima dele).
Mariana: por que senhor fez isto comigo, levaste o meu amado antes que eu lhe desse o primeiro beijo!
(ela o beija, chorando).
Mariana: eu também vou contigo meu amor!
(Mariana corta seus pulsos e põem fim enfia-se a faca e cai perto de Simão.
(A câmera focaliza as cartas).
Fim
Essa obra foi montada encima do livro de Camilo Castelo Branco por não ter sido encontrada pronta na net. Tive que dá meus pulos e montar a peça, minha amiga Angela me ajudou bastante, um filme foi até produzido, no início de 2011. 
                         

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